sexta-feira, 26 de abril de 2013

Mundo da Katee: QUERER emagrecer me consome

Mundo da Katee: QUERER emagrecer me consome: >>> post original nesse link <<<

Estou reblogando esse post (com algumas modificações).


 Não sou pró-ana/mia mas confesso que muitos desses pensamentos tem feito parte do meu cotidiano com uma frequência absurda. Começar a comer que nem um louca e botar tudo a perder, isso eu também não quero jamais.

Não acho que isso pode levar alguém a lugar algum, até porque doença é doença. Nem concordo com tudo o que esses sites pró-anorexia publicam, aliás quando tudo isso começou sequer existia o termo ana e mia, muito menos pró-algo. Eu pensava basicamente assim, não tem essa de “ensinar“, ninguém me ensinou a ter isso!!! Até porque se existisse como ensinar algo assim eu pediria pra que me ensinassem a colocar essa chavinha no OFF.

Não existe isso de ensinar a ter anorexia pois eu posso até passar a minha dieta mais restritiva que fiz na vida, se a pessoa não tiver um DNA propenso a desenvolver um transtorno alimentar ela vai seguí-la por no máx 4 dias e não vai conseguir ou vai cair em compulsão e engordar o dobro depois. PORTANTO, gurias, não queiram obter uma doença, não existe isso de "quero ter tuberculose", "quero ter câncer", FALA SÉRIO!!!!

Ter uma doença e viver em torno dela não é fácil.
Não sair, não namorar, não trabalhar, não ter amigos.
Viver em função de calorias, esperar a refeição seguinte, ouvir médicos e mais médicos, choros e angústias!
A vida se torna uma triste equação da vida, na qual o resultado pode tornar-se muitas vezes (infelizmente) ZERO.
Passar toda sua adolescência e juventude lutando contra algo que deveria ser o natural na vida de qualquer pessoa: se alimentar.
Se odiar por ter um corpo dentro dos parâmetros mínimos esperados pra saúde.
Querer sempre menos e menos.
Ver familiares e amigos sofrendo com sua obsessão que te leva a loucura; e junto contigo vai a sanidade das pessoas que você ama e aquelas que você menos gostaria de machucar.
Você preferir perder a vida a se ver maior.
A dor ser tanta que você pensa inúmeras vezes em desistir de continuar lutando e lutando.
Você querer se ver como é de fato e ser a mudança que todos esperam que você seja, mas nunca é boa o bastante e todas as tentativas são falhas.
Você ver sua prima ou amiga que era a linda e magra quando criança e saber que por mais que você perca kgs ela ou qualquer um sempre será melhor que você.
Sentir-se incapaz de tudo na vida, talvez a única coisa que você se sinta melhor ao fazer é emagrecer, nisso talvez você se sinta mais capaz, sinta-se útil porque pra todo o resto você não se sente boa o bastante.
Você nao quer se sentir o centro de tudo ou ser melhor que ninguém, você só quer se sentir alguém.
Se sentir que merece amar e se sentir amada, não se sentir tão mal e se odiar tanto, a tal ponto de achar que não merece o amor, carinho, até o respeito de ninguém. Achar que se você sofrer não tem mal, você merece sofrer.
Se sentir assim e ainda ser julgada pela sociedade como alguém que quer atenção apenas, ou como uma mera frescura ou como infantilidade.
O que seria infantilidade? Essa minha atitude de querer reprimir meu corpo de mulher ou um idiota que é velho e tenta violentar uma criança?

Talvez esse “não querer engordar“ esteja muito mais englobado no nojo que eu sinto de pensar em como esse corpo pode despertar esses desejos... Talvez quando eu ouço um “gostosa“ na rua, ou até dentro de um maldito consultório, não chore só por estar de fato assim mas sim pelo que tudo isso representa.
Talvez quando eu penso em me matar eu não queira morrer de verdade, não queira magoar meus pais, irmãs e parentes mas queira por um instante esquecer de tudo isso e deixar de ter uma matéria física que me representasse. Talvez por isso eu tenha tantos amigos via web mas poucos na vida real porque na net não preciso me arrumar ou sorrir pra fingir que estou bem, ser gentil e ter que vestir minha armadura pra evitar qualquer aproximação.

Talvez eu só deseje ser normal, ter idéias normais com relação a tudo o que eu nunca tive. Não ter medo, aflição, angústia ao comer um pedaço de pepino e outros dias ter medo, ansiedade e aversão.

Talvez eu só quisesse apagar minhas lembranças que me fizeram entender que eu era um nojo por ser gorda, que eu não tinha merecimento e nem poderia praticar um balé que fosse, nem por prazer, por ser gorda! APRENDI na raça, que ninguém gostava de mim porque eu era gorda!
Aprendi sofrendo, lutando, vivendo, caindo, levantando, comendo, correndo, vomitando, me matando, rezando, chorando, gritando, surtando, me cortando, nadando e até fazendo outras coisas censuradas!! APRENDI na luta desses anos todos.

E, depois de tudo isso, as pessoas acham que tudo ficará bem se eu comer o que chamam de normal. Acham que todos meus problemas vão se resolver se eu ingerir um prato balanceado de alimentos. As pessoas querem me ingerir uma dieta hipercalórica guela abaixo para eu chegar num peso maior, mas mesmo estando abaixo do que eles querem já ouço "gostosa" do próprio médico.

É isso mesmo sociedade? Vocês querem que eu coma?

Não obrigada, não estou com fome.

2 comentários:

  1. NUSSSSSSSSSSS!!! Que texto em?!
    Olha foi bom vc compartilhar conosco!
    Bravo, acho que ela expressou tudoooo e muitos mais, que muitas meninas passam. E a história de dar dicas ....


    Abraços!

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  2. Li este e o original. A miúda expressa mesmo tudo que sentimos e aquilo que outros pensam a respeito das nossas atitudes...

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